Peixinhos da Horta com Arroz de Feijão
3,55€ · 4 pessoas · 45 min · Médio · Vegetariano
Antes de existir tempura no Japão, existiam peixinhos da horta em Portugal — feijão-verde escaldado, mergulhado num polme leve de farinha e ovo e frito até ficar dourado e estaladiço. Foram os missionários portugueses que levaram a técnica para Nagasáqui no século XVI, e é por isso que este prato humilde de dias de abstinência é, literalmente, o avô da tempura. Servido com arroz de feijão encarnado, cremoso e cor de tijolo, dá uma refeição vegetariana completa, saciante e absurdamente barata: 3,55€ para quatro pessoas, menos de 0,90€ por pessoa. É também o prato ideal para o verão, porque os peixinhos comem-se mornos ou frios, sabem a merenda de praia e desaparecem da travessa antes de chegarem à mesa. O segredo está em três pontos: escaldar o feijão-verde 4 minutos e passar por água gelada, fazer o polme com água muito fria para ficar leve, e fritar em óleo a 180°C em pequenas quantidades.
Ingredientes
- 500 g Feijão-verde fresco — 1,20 (Continente)
- 180 g Farinha de trigo tipo 55 — 0,15 (Lidl)
- 2 unidades Ovos frescos — 0,36 (Lidl)
- 300 g Arroz carolino — 0,45 (Pingo Doce)
- 1 frasco 400 g Feijão encarnado cozido (frasco) — 0,79 (Lidl)
- 2 unidades Tomate maduro — 0,30 (Continente)
- 1 cebola + 2 dentes Cebola e alho — 0,20 (Lidl)
- 500 ml (reaproveitável) Óleo alimentar para fritar — 0,10 (Lidl)
- q.b. Sal, pimenta, alho e temperos a gosto
Preparação
- PREPARAR O FEIJÃO-VERDE (10 MIN) — retire os fios laterais de 500 g de feijão-verde e corte as pontas. Se as vagens forem muito largas, corte-as ao meio no sentido do comprimento. Lave bem em água fria.
- ESCALDAR E CHOCAR (6 MIN) — ferva água com sal generoso e coza o feijão-verde 4 minutos, apenas até ficar tenro mas ainda com resistência. Escorra e mergulhe imediatamente numa taça com água e gelo durante 2 minutos: fixa o verde vivo e trava a cozedura. Escorra muito bem e seque com pano limpo — polme não agarra a vagem molhada.
- REFOGADO DO ARROZ (8 MIN) — pique 1 cebola e 2 dentes de alho e refogue em 3 colheres de sopa de azeite durante 6 minutos até a cebola ficar translúcida. Junte 2 tomates maduros ralados (sem pele) e deixe apurar 3 minutos até perder a água e ficar um molho espesso.
- ARROZ DE FEIJÃO (20 MIN) — junte ao refogado o feijão encarnado escorrido e lavado, envolva 1 minuto, adicione 300 g de arroz carolino e mexa para envolver. Junte 900 ml de água a ferver, sal, pimenta e uma folha de louro. Coza 18 minutos em lume médio-baixo, mexendo duas ou três vezes: deve ficar malandrinho, não seco. Se secar demais, junte água a ferver aos poucos.
- POLME LEVE (5 MIN) — numa taça, misture 180 g de farinha com 1 colher de chá de sal. Junte 2 ovos batidos e cerca de 200 ml de ÁGUA MUITO FRIA (com pedras de gelo dentro do jarro), mexendo o mínimo possível. Deve ficar com a consistência de natas espessas e alguns grumos — polme batido em excesso desenvolve glúten e fica pesado. Deixe repousar 10 minutos no frigorífico.
- AQUECER O ÓLEO A 180°C — numa frigideira funda ou tacho pequeno, aqueça 3 dedos de óleo. Se não tiver termómetro, teste com uma gota de polme: deve subir à superfície a borbulhar em 2 segundos sem escurecer de imediato.
- FRITAR EM PEQUENAS QUANTIDADES (10 MIN) — passe cada vagem pelo polme, deixe escorrer o excesso e mergulhe no óleo. Frite 4 a 6 de cada vez, 2 a 3 minutos, virando a meio, até ficarem douradas e estaladiças. Retire para papel absorvente e polvilhe logo com flor de sal enquanto estão quentes.
- SERVIR À MESA — travessa forrada a papel com os peixinhos da horta empilhados, gomos de limão ao lado e uma taça funda de arroz de feijão a fumegar. Come-se com as mãos, de preferência com toda a gente à volta da bancada a roubar antes de chegar à mesa.
Dicas
- O AVÔ DA TEMPURA — os missionários portugueses levaram esta técnica para o Japão no século XVI, durante os dias de abstinência de carne (têmporas — daí 'tempura'). Contar esta história à mesa vale metade do jantar.
- ÁGUA GELADA NO POLME É O SEGREDO — o choque térmico entre o polme frio e o óleo a 180°C cria vapor instantâneo e é isso que dá a casca leve e estaladiça. Água à temperatura ambiente dá um polme pesado e oleoso.
- NÃO BATER O POLME — mexa o mínimo. Grumos são bons. Polme muito batido desenvolve glúten e a fritura fica dura e pastosa.
- SECAR AS VAGENS — feijão-verde molhado faz o polme escorregar e o óleo saltar. Depois do banho de gelo, seque uma a uma com pano de cozinha.
- REAPROVEITAR O ÓLEO — depois de arrefecer, coe o óleo para uma garrafa e guarde num armário escuro. Dá para mais 2 ou 3 frituras, o que faz o custo real por refeição descer bastante.
- ARROZ DE FEIJÃO MALANDRINHO — a proporção certa é 3 medidas de água por 1 de arroz carolino. Deve ficar cremoso e escorrer na colher; arroz de feijão seco é arroz de feijão falhado.
- VERSÃO AIR FRYER — pincele as vagens passadas por polme com azeite e coza 12 minutos a 200°C virando a meio. Não fica igual (falta a casca bolhosa) mas fica boa e leva muito menos gordura.
- SOBRAS — os peixinhos da horta comem-se frios no dia seguinte, dentro de uma sandes com maionese e alface. É a melhor merenda de praia que existe.