O Tiago paga 25€ por semana em comida no quarto alugado em Coimbra — e a fritadeira nem sequer é dele

Histórias · 9 min de leitura · 2026-09-17

O Tiago paga 25€ por semana em comida no quarto alugado em Coimbra — e a fritadeira nem sequer é dele

O Tiago tem 20 anos, estuda Engenharia em Coimbra e vive num quarto alugado com fogão de indução portátil, um frigorífico partilhado com mais três colegas e uma prateleira que é só dele na despensa comum. Esta história é ficcionada — o Tiago não existe como pessoa real — mas representa milhares de estudantes portugueses que, todos os anos em setembro, saem de casa dos pais e descobrem, muitas vezes a más noites e refeições de pão com fiambre, que comer bem custa dinheiro que não têm de sobra. O objetivo deste artigo é mostrar, ao cêntimo, como é possível comer variado e nutritivo com 25€ por semana, mesmo com uma cozinha reduzida a uma placa e um frigorífico dividido.

A cozinha do Tiago: uma placa, um frigorífico, uma prateleira

O quarto do Tiago não tem forno. Tem uma placa de indução portátil de uma zona, comprada em segunda mão por 18€, um micro-ondas partilhado na cozinha comum e uma prateleira na despensa onde guarda arroz, massa, latas e azeite. No frigorífico partilhado, tem uma caixa com o nome dele em fita-cola, onde cabem os produtos frescos da semana. Isto obriga a um tipo diferente de planeamento: nada de assados no forno, nada de guisados demorados a fogo brando — tudo tem de caber numa panela pequena numa placa só.

A limitação, longe de ser um problema, tornou-se o próprio método do Tiago: cozinha sempre em quantidade suficiente para dois dias, usando a mesma panela para o arroz, para a massa e para os ovos mexidos. Menos loiça, menos tempo, menos gás — porque a eletricidade da placa entra na conta da casa dividida por quatro, e ele sente cada minuto que a mantém ligada.

  • Placa de indução portátil de uma zona: 18€ em segunda mão
  • Frigorífico partilhado com caixa identificada
  • Regra pessoal: cozinhar sempre para dois dias, nunca para um

A lista de compras de 25€ que aguenta a semana inteira

Todos os domingos à tarde, o Tiago vai ao supermercado mais perto da residência com uma lista fixa que ajusta ligeiramente consoante as promoções da semana. A base nunca muda: um pacote de massa (0,65€), arroz (0,89€ o quilo, dura várias semanas), uma dúzia de ovos (2,19€), uma lata grande de atum em três latas mais pequenas (2,49€), uma lata de feijão preto (0,79€), uma lata de tomate pelado (0,69€), uma cebola grande, alho, uma courgette e uma cenoura (cerca de 1,80€ ao todo), um iogurte natural em pacote grande (1,29€), pão de forma (0,99€), uma banana e três maçãs (1,60€), e um frango desfiado já cozinhado, vendido em bandeja, que usa como base de proteína rápida (3,49€).

Somando tudo, o Tiago costuma fechar a compra entre 22€ e 24,50€, deixando sempre uma margem de meio euro a um euro para imprevistos — um pão que acaba mais cedo, uma peça de fruta a mais. Com esta lista, monta sete jantares e a maior parte dos almoços da semana, já que o pequeno-almoço fica quase sempre reduzido a pão com o que houver e café instantâneo comprado à parte.

  • Massa, arroz e ovos: a base que nunca falta na prateleira
  • Atum e feijão preto em lata: proteína barata que não precisa de frigorífico até abrir
  • Frango desfiado pronto a comer: poupa tempo e gás na placa de indução
  • Gasto médio semanal real: entre 22€ e 24,50€

Uma semana típica no quarto do Tiago

Domingo: arroz com atum e cenoura ralada, feito numa panela só, suficiente para dois dias. Segunda: sobra de domingo, reaquecida no micro-ondas comum entre aulas. Terça: massa com molho de tomate, cebola e alho refogados na placa, com um ovo estrelado por cima a fazer de proteína — a receita mais barata e mais repetida do seu caderno de apontamentos. Quarta: feijão preto com cebola e um bocado do frango desfiado, comido com pão. Quinta: omelete de courgette com duas fatias de pão torrado. Sexta: sobra de quarta reaproveitada. Sábado, dia de sair com amigos, é o único em que o Tiago aceita gastar fora do orçamento semanal — normalmente uma pizza dividida a meias com o colega de quarto ao lado.

Reparem que a maior parte dos jantares rende dois dias, tal como acontece nas casas de família que seguimos no Menu 5€ — a lógica é exatamente a mesma, só a escala e a cozinha são menores. Cozinhar uma vez, comer duas, é a regra que atravessa qualquer orçamento apertado, tenha ele quatro pessoas à mesa ou apenas o Tiago sentado na cama com o prato ao colo.

  • Cada refeição principal cozinhada rende sempre dois dias
  • Ovo estrelado como proteína de reforço mais barata do supermercado
  • Uma saída social por semana, fora do orçamento fixo, sem culpa

O erro que o Tiago já não comete: comprar comida pronta individual

No primeiro mês em Coimbra, longe de casa da mãe pela primeira vez, o Tiago gastava perto de 55€ por semana em pratos prontos de micro-ondas, sandes da máquina e entregas ao domingo à noite quando não tinha vontade de cozinhar. A conta do primeiro mês assustou-o: mais de 220€ só em comida, sem contar bebidas nem lanches. Foi aí que decidiu fazer o que a mãe sempre fez em casa — escrever uma lista fixa e cumpri-la.

A diferença entre os 55€ e os 25€ semanais não está em comer pior, mas em comer diferente: menos produtos individuais e embalados, mais ingredientes base que rendem várias refeições. Um pacote de massa custa menos de 1€ e dá para quatro refeições; um prato pronto de massa custa 3€ e dá para uma. É essa aritmética, repetida sete dias por semana, que separa os 220€ dos 100€ mensais.

As três regras do Tiago para quem vai viver sozinho pela primeira vez

Primeira: comprar sempre ingredientes base — arroz, massa, ovos, latas, cebola, alho — e nunca pratos prontos individuais, que custam sempre mais por refeição. Segunda: cozinhar em dose dupla mesmo vivendo sozinho, porque a diferença de gás e de tempo entre cozinhar para um dia ou para dois é quase nula. Terceira: ter sempre uma lata de atum, uma lata de feijão e uma dúzia de ovos na despensa — são os três alimentos que salvam qualquer jantar de última hora sem gastar mais dinheiro do que o previsto.

O Tiago também guarda, num caderno pequeno, o preço que pagou por cada produto na última compra, para perceber quando uma promoção é mesmo boa ou apenas parece boa. É o mesmo princípio de qualquer família que segue o Menu 5€: decidir com números, não com pressa.

  • Ingredientes base, nunca pratos prontos individuais
  • Cozinhar sempre em dose dupla, mesmo vivendo sozinho
  • Ter sempre atum, feijão e ovos na despensa como rede de segurança

Conclusão

O Tiago não existe, mas o quarto alugado, o fogão de indução portátil e o frigorífico partilhado descrevem a realidade de milhares de estudantes portugueses a viver sozinhos pela primeira vez este setembro. Com 25€ por semana, ingredientes base e a disciplina de cozinhar em dose dupla, dá para comer variado sem depender de pratos prontos caros. Para quem quer um plano completo, com listas de compras semanais já feitas e menus dia a dia — mesmo com cozinha reduzida — o nosso ebook «O Sistema Menu 5 Euros — 30 Dias com a Família Costa» está disponível em /sistema-menu-5-euros por 6,90€, e as receitas de massa com ovo estrelado e de arroz com atum estão prontas a seguir aqui no site.

Perguntas frequentes

A história do Tiago é real?

Não. É uma personagem ficcionada que representa a realidade comum de milhares de estudantes universitários portugueses. Os preços e as quantidades são estimativas realistas baseadas em compras habituais de supermercado.

Dá mesmo para comer bem com 25€ por semana sem forno?

Dá, desde que a base seja arroz, massa, ovos e latas, cozinhados numa única placa. O que não é possível é variar tanto como numa cozinha completa — por isso a repetição planeada de pratos é essencial.

O que fazer quando o frigorífico é partilhado com mais pessoas?

Usar uma caixa ou saco identificado, comprar apenas o que cabe nesse espaço e priorizar alimentos que não precisam de frio até serem abertos, como latas e ovos.

Vale a pena comprar frango já cozinhado em vez de cru?

Para quem só tem uma placa e pouco tempo entre aulas, sim: custa um pouco mais por quilo, mas poupa tempo e gás, e reduz o risco de cozinhar mal a carne numa cozinha improvisada.

Como evitar gastar tudo em pratos prontos no primeiro mês fora de casa?

Escrever uma lista fixa de ingredientes base antes de ir às compras e comprometer-se a segui-la, exatamente como qualquer família do Menu 5€ faz todas as semanas.