Chegou o frio: 12 hábitos do Sr. Amadeu para cozinhar gastando muito menos gás e luz

Poupança · 9 min de leitura · 2026-10-19

Chegou o frio: 12 hábitos do Sr. Amadeu para cozinhar gastando muito menos gás e luz

São seis e meia da tarde de um domingo frio de outubro e o Sr. Amadeu, 71 anos, reformado dos correios, está sentado à mesa pequena da sua cozinha em Gondomar com a caderneta onde apontou, ao longo do último inverno, quanto gastou de gás e de luz a cozinhar sozinho. Esta história é, como quase sempre por aqui, ficcionada — mas nasceu de uma pergunta que nos chega todos os anos quando as noites arrefecem: como é que se continua a cozinhar bem, com sopa quente e um guisado a fumegar, sem que a fatura do gás e da eletricidade suba a pique? O Sr. Amadeu, à sua maneira teimosa e metódica, encontrou doze hábitos que repete sem pensar duas vezes, e que qualquer família pode copiar já esta semana.

A cozinha do Sr. Amadeu em outubro

Vive sozinho desde que a mulher faleceu, há quatro anos, e cedo percebeu que cozinhar para uma pessoa com os mesmos hábitos de antes — o forno ligado só para aquecer uma posta de peixe, o lume aceso meia hora antes de a água ferver — era desperdiçar dinheiro que não sobra muito, com a pensão que tem. 'Não é por ser pobre', costuma dizer à vizinha D. Luísa quando se cruzam no mercado de Lordelo, 'é por ser teimoso. Gosto de ver a conta a baixar.'

Foi assim, por tentativa e erro ao longo de dois ou três invernos, que o Sr. Amadeu foi afinando uma rotina. Nada de aparelhos caros nem truques milagrosos — apenas hábitos simples, repetidos todos os dias, que separados parecem pouco, mas juntos fazem, segundo a nossa estimativa própria baseada em consumos típicos de uma cozinha a gás e eletricidade em Portugal, uma diferença real na fatura do inverno.

Os primeiros seis hábitos: antes de ligar o lume

1. Tapar sempre as panelas. Uma panela destapada deixa fugir o calor e obriga o lume a trabalhar mais tempo para a mesma fervura — o Sr. Amadeu jura que isto sozinho já lhe poupa minutos preciosos em cada sopa.

2. Cortar os legumes mais pequenos. Pedaços pequenos cozem mais depressa do que pedaços grandes, e isso significa menos tempo de lume aceso para o mesmo resultado.

3. Usar a panela do tamanho certo para o lume certo. Uma panela pequena num lume grande desperdiça calor para os lados; o Sr. Amadeu tem sempre o cuidado de ajustar o tamanho do lume ao fundo da panela.

4. Desligar o lume uns minutos antes do fim. O calor que já está acumulado no tacho continua a cozinhar o conteúdo mesmo sem chama — vale a pena desligar com cinco minutos de avanço em guisados e arroz.

5. Descongelar na véspera, no frigorífico. Cozinhar com ingredientes ainda gelados obriga o lume a trabalhar mais tempo; descongelar com calma, de um dia para o outro, poupa tempo de cozedura e ainda mantém melhor a textura.

6. Juntar o sal e os temperos já com a água quente. Parece um pormenor, mas sal demasiado cedo numa água fria atrasa ligeiramente a fervura.

Mais seis hábitos: forno, frigorífico e planeamento

7. Agrupar tudo o que vai ao forno no mesmo dia. O Sr. Amadeu faz, uma vez por semana, uma 'tarde de forno': assa de seguida um tabuleiro de legumes, uma posta de peixe e até um bolo simples, aproveitando o mesmo pré-aquecimento para três coisas em vez de uma.

8. Não abrir a porta do forno a cada cinco minutos. Cada vez que a porta abre, o forno perde uma boa parte do calor acumulado e tem de voltar a aquecer — o vidro e a luz interior existem exatamente para evitar essa tentação.

9. Preferir o tacho ou a frigideira ao forno sempre que possível. Para uma refeição pequena, o forno demora a aquecer e gasta mais energia do que um tacho ao lume — o Sr. Amadeu só liga o forno quando tem mais do que uma coisa para assar.

10. Deixar a comida arrefecer fora do frigorífico antes de guardar. Meter um tacho quente no frigorífico obriga o aparelho a trabalhar mais para manter a temperatura — mais um hábito pequeno que poupa eletricidade todos os dias.

11. Cozinhar em maior quantidade e congelar em doses. Um guisado feito para seis doses de uma vez gasta, proporcionalmente, muito menos gás por dose do que seis cozinhados separados ao longo da semana.

12. Aproveitar o calor residual do forno para aquecer o pão ou secar ervas. Depois de desligado, o forno ainda guarda calor durante uns minutos — tempo suficiente para aquecer um pão ou derreter queijo sobre uma sopa.

Quanto é que isto pode realmente poupar

Não há duas cozinhas iguais, e os preços do gás e da eletricidade variam de fornecedor para fornecedor, por isso qualquer número aqui é apenas uma estimativa indicativa, nunca um valor garantido. Ainda assim, com base em consumos típicos de uma cozinha a gás butano ou natural numa casa portuguesa, juntar estes doze hábitos pode representar uma redução perceptível na fatura do inverno — o suficiente para, segundo contas aproximadas do Sr. Amadeu na sua caderneta, pagar sozinho a diferença entre um inverno apertado e um inverno tranquilo.

O mais importante não é nenhum hábito isolado, mas a soma de todos. Tapar a panela poupa pouco sozinho; fazê-lo todos os dias, ao longo de um inverno inteiro, já conta.

Um sábado de cozinha em lote, a pensar no inverno inteiro

No sábado seguinte àquele domingo em que fez as contas, o Sr. Amadeu ligou o forno uma única vez às dez da manhã e não o voltou a desligar até à hora de almoço: entraram e saíram um tabuleiro de frango com batatas, uma travessa de legumes para a semana e, no fim, aproveitando o calor que ia descendo, um tabuleiro de maçãs assadas para a sobremesa. 'Um forno só, três coisas feitas', repetiu, satisfeito, enquanto arrumava os recipientes para o congelador.

É este tipo de planeamento semanal, mês a mês, que organizamos de forma mais detalhada no ebook O Inverno da Família Costa, disponível na nossa Loja a partir de 9,90€, com um plano de refeições pensado precisamente para os meses mais frios do ano — e cuja compra ajuda a pagar as despesas de manutenção do site.

Conclusão

O inverno não tem de significar faturas mais pesadas. Como mostra a história, ficcionada mas realista, do Sr. Amadeu, a diferença está em hábitos pequenos, repetidos com disciplina: tapar panelas, agrupar o que vai ao forno, cozinhar em quantidade e deixar o calor residual trabalhar a seu favor. Nenhum destes hábitos custa dinheiro — custam apenas um bocadinho de atenção, e essa é, de longe, a poupança mais acessível de todas.

Perguntas frequentes

A história do Sr. Amadeu é verdadeira?

É uma história ficcionada, criada para ilustrar hábitos reais de poupança de energia na cozinha. O Sr. Amadeu não existe como pessoa real, mas os hábitos descritos são práticas comprovadas e aplicáveis em qualquer casa.

Qual é o hábito que mais poupa gás no dia a dia?

Tapar sempre as panelas e desligar o lume uns minutos antes do fim da cozedura, aproveitando o calor acumulado, costumam ser os dois hábitos com maior impacto imediato.

Vale mesmo a pena agrupar tudo o que vai ao forno?

Sim. O forno gasta a maior parte da energia a aquecer até à temperatura desejada; depois disso, manter essa temperatura para mais do que um tabuleiro custa muito pouco a mais.

Cozinhar em lote não gasta mais gás de uma só vez?

Gasta mais numa única sessão, mas proporcionalmente muito menos por dose do que cozinhar a mesma quantidade em várias sessões separadas ao longo da semana.

Estes hábitos funcionam também com fogão elétrico?

A maioria sim — tapar panelas, ajustar o tamanho do lume e desligar antes do fim aplicam-se igualmente a placas elétricas ou de indução, com poupança equivalente na eletricidade.